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Praça do Relógio - 10.12.2020 - foto: Cecília Bastos/USP Imagens

O planeta Terra comporta uma teia de sistemas interdependentes e dinâmicos, que evoluiu ao longo do tempo geológico. As questões ambientais e de sustentabilidade estão na ordem do dia, mas nem sempre de fácil compreensão. Nessa pauta vasta e intrincada, o maior desafio é tornar a atividade humana compatível com os limites do planeta. Sem isso, a própria sobrevivência da espécie estará sob ameaça.


O impacto das ações humanas sobre a biosfera já é claramente percebido, tendo contribuído de modo irrefutável para as bruscas mudanças no clima, que já causam enchentes, secas e ondas de frio e calor extremos. A atividade antrópica aumentou exponencialmente os efeitos devastadores sobre os ecossistemas. Tais efeitos da ação humana sobre o clima e a ecologia inspirou o nome do que vem sendo definido como uma nova época geológica: o Antropoceno. 


Em resposta à deterioração ambiental do Antropoceno, as Nações Unidas definiram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs). São 17 objetivos globais que representam ações integradas destinadas a alcançar um futuro mais equânime e próspero para a humanidade – e um planeta ambientalmente estável. São urgentes e inadiáveis, os esforços para mitigar os desastres ambientais e climáticos que já se manifestam. Sem isso, não teremos mais como deter a deterioração dos recursos naturais, a desertificação, a perda de biodiversidade e as crises climáticas. As respostas para tudo isso só poderão emergir da ciência de alta qualidade, desenvolvida em centros de excelência, voltados à sustentabilidade. Isso quer dizer, em suma, que, sem a universidade, berço do conhecimento científico, não haverá esperanças. Entre os desafios enumerados pelas Nações Unidas, o da redução da concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera exige ação imediata e tem alcance global.


No âmbito deste quadro preocupante nós pretendemos definir e implementar, junto com os Institutos e centros de excelência da USP neste tema, um programa emergencial de “emissão zero” de GEE nos campi de nossa universidade, como forma de inspirar a sociedade a compreender e se engajar nesse esforço. Por seu caráter didático, inovador e pioneiro, a iniciativa de “emissão zero” deverá representar a principal prioridade dentre as ações de sustentabilidade que pretendemos adotar. Por meio dela, a USP mostrará que é capaz de viver o que pesquisa e ensina, gerando um incentivo para novas ações coordenadas nos demais temas de sustentabilidade. 


A USP é detentora de um patrimônio de pesquisa ambiental notável. Está plenamente habilitada a ocupar a vanguarda de um esforço que é global. A liderança científica da USP nas pesquisas que embasam a formulação de políticas públicas de sustentabilidade é mais que expressiva. Temos grupos de excelência que estudam temas ligados a ecossistemas, biodiversidade, oceanografia, hidrologia, climatologia, energia e geologia, entre outros temas. É tempo de agir.

 

NOSSOS COMPROMISSOS

1. Implantar o Escritório Executivo de Acompanhamento da Sustentabilidade, com destaque para o projeto USP-Emissão Zero (USP-EZero), em um prédio modelo de sustentabilidade a ser construído na USP.

2. Definir alguns indicadores e implementar políticas de sustentabilidade em todos os campi da USP para que se tornem exemplos inspiradores para a sociedade em preservação e conservação ambiental, utilização adequada de recursos, gestão de saneamento e resíduos, mobilidade, consumo e produção responsáveis de energia e segurança da comunidade acadêmica.

3. Criar programa para a inclusão de jovens pesquisadores e pós-doutores nas ações conduzidas pelo Escritório USP-EZero com o intuito de desenvolver e aprimorar a implementação dos ODS nas diversas instâncias da sociedade.

4. Proporcionar ambientes adequados para o bem-viver e bem-trabalhar à toda comunidade da USP.

5. Incorporar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU nas atividades de ensino de graduação e pós-graduação, de pesquisa e de extensão.

6. Dimensionar grandes focos de ação da USP – integrando pesquisa, ensino e extensão – de forma a liderar a sociedade na direção de um mundo mais justo e sustentável.

7. Com base na pauta dos ODSs da ONU, dar visibilidade aos avanços científicos sobre o tema.

 

8. Adotar processos, tecnologias e instrumentos sintonizados com mecanismos sustentáveis de gestão acadêmica, de modo a criar dinâmicas que incorporem os ODSs na rotina da Universidade.

 

9. Articular um processo de integração entre a Reitoria da Universidade de São Paulo e o Governo do Estado de São Paulo para a criação de planos, programas e projetos de sustentabilidade que sirvam de modelo e possam ser aplicados em todos os municípios do nosso Estado.

10.  Formação de recursos humanos qualificados para a implementação dos ODSs em âmbitos governamentais, empresariais e da sociedade civil.