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Praça do Relógio - 10.12.2020 - foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A Universidade de São Paulo se destaca por seu acervo cultural e científico notáveis e por ter em sua constituição instituições da mais alta relevância, a exemplo do Museu Paulista, do Museu de Arte contemporânea (MAC), do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) e do Museu de Zoologia. Ao lado dessas instituições, cujo significado é mundialmente reconhecido, a USP conta com centros de cultura ímpares, como o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM), além de acervos documentais e bibliográficos de enorme valor, como os das bibliotecas da Faculdade de Direito, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, da Faculdade de Medicina, entre vários outros. Esses organismos são a um só tempo centros de difusão e fonte inesgotável de pesquisas avançadas. A área da cultura na USP deve ser apreciada nos termos da sua inexcedível relevância, justificando amplamente os apoios por parte dos dirigentes. 


Mas a USP e a cultura guardam consonâncias que vão muito além disso. Responsável pela formação de parte da intelectualidade e dos produtores de artes no Brasil, a USP é sinônimo de cultura. Não por casualidade, a célula inaugural do pensamento crítico da nossa Universidade, a sede da Rua Maria Antônia, é hoje um centro cultural de uma representatividade simbólica que fala por si. Na USP, com uma fecundidade que supera muitas das maiores universidades do mundo, a Ciência, a Filosofia e as Artes tecem novelos de sentidos cruzados que não cessam de gerar novos significados para nossa existência, seja ela institucional, seja nossa existência como pessoas de carne e osso – ou mais que isso: carne, osso, imaginação e espírito, são partes integrantes da criatividade que nos distingue. Ou seja, temos instituições sólidas, permeadas por pesquisas avançadas e de vanguarda. Por essa razão, a USP é uma antena da (s) cultura (s) brasileiras (s), além de ser, ela mesma, um dínamo cultural. A potência significante desta Universidade tem tudo para ser muito mais luminosa, inclusiva, diversa e alegre. 


Novamente é forçoso reconhecer que uma área com tal envergadura não pode descurar-se de suas responsabilidades públicas, até porque, como se sabe, as universidades têm formado as profissões culturais e artísticas, diversamente do passado, quando esse aprendizado era mais informatizado. Visto sob esse ponto de vista, a USP pode assumir o papel de formular políticas de cultura, semelhante ao realizado no passado, tendo consciência que a concepção não poderá beirar à trivialidade. Desse modo, a política para a cultura da USP implica a construção de um processo de tomada de decisões, no qual os meios são instrumentos para promover mudanças. 


Sejamos, pois, capazes de sonhar à altura do que a sociedade brasileira precisa que sonhemos. Fiquemos atentos para que as políticas culturais de nossa universidade não sejam fragmentadas e não abram mão da necessária liberdade de criação. Se pretendemos uma universidade do diálogo franco, do reconhecimento, da inventividade, da ousadia e do respeito, valorizar as ações culturais é seu pressuposto, sem as quais não forjaremos o futuro. Um projeto consequente de Universidade não pode prescindir da área da cultura, mormente quando a instituição tem o privilégio de possuir instituições de tal envergadura.


Se hoje nossos patrimônios culturais conferem reconhecimento e visibilidade à USP, precisamos torná-los mais intensos, mais vivos e mais presentes na cena pública. Um passo inicial para avançarmos nesse caminho reside na integração, em um projeto dinâmico, de outras coleções culturais e científicas presentes nas Unidades da Universidade de São Paulo e que, com um pequeno apoio, certamente florescerão. 


Devemos pensar em modos de agregar às iniciativas de êxito outros órgãos de cultura que fazem parte do patrimônio cultural da USP. Temos três orquestras (OSUSP, de Câmara e Filarmônica de Ribeirão Preto); possuímos diversos grupos de corais (disseminados nos vários campi);o Teatro da Universidade de São Paulo (TUSP), que já ganhou vários prêmios; o Cinema (CINUSP), que faz parte dos circuitos cinematográficos da cidade de São Paulo. Esse universo variegado de polos culturais demanda o apoio da direção da Universidade. Por ele, através dele e dentro dele, levamos a cabo nossas múltiplas atividades de pesquisa, difusão e educação. Lembremos uma vez mais o Centro Universitário Maria Antônia, de caráter extrovertido, que tão bem representa a alma da Universidade. 


A denominada sociedade do conhecimento, que afirma o caráter central da ciência em todos os escaninhos da vida coletiva, é produto de significados sedimentados no âmbito da cultura. Exatamente por isso, nos veículos de informação e difusão, o conhecimento é matéria corrente, confundindo-se frequentemente com a vulgarização científica, componente do ethos atual. Por essa mesma razão, a divulgação nas redes sociais de falsos e distorcidos avanços científicos, presentes na proliferação das fake news, pode ser vista como desdobramento perverso dessa tendência. 


A relação entre cultura e extensão na USP resulta também do fato de o setor cultural ser necessariamente atributo extrovertido, tornando-o a face privilegiada da relação com a sociedade, requisito cada vez mais importante no contexto atual.


No ano vindouro, a Universidade tem duas importantes missões culturais, uma relativa ao público externo e outra ao público interno. Na próxima gestão reitoral ocorrerão as comemorações dos 200 anos da Independência do Brasil e o Museu Paulista certamente será o cenário central das festividades, celebraremos ainda os cem anos da Semana de Arte Moderna, concebida para ser o marco da nossa independência cultural. Ambas são oportunidades ímpares para a USP, tanto para redefinir os parâmetros culturais na sua relação com a sociedade, quanto para revelar a grande importância do seu patrimônio cultural.

 

NOSSOS COMPROMISSOS

1.  Aprofundar a interação dos diferentes agentes culturais com a comunidade uspiana.


2.  Criar sistema patrimonial para registro das obras raras de posse da Universidade (documentos de arquivo, obras de arte ou obras museológicas). Oferecendo visibilidade ao importante patrimônio cultural da USP.


3. Criar arquivo digital da produção musical da USP.


4. Implantar biblioteca digital, unificando os diferentes acervos da USP em uma única plataforma.


5. Criar uma cátedra em cada Museu da USP com periodicidade anual, sendo o catedrático personagem importante na área para atividades curatoriais.


6. Estabelecer tratamento igualitário entre Unidades de Ensino e outras Unidades (Museus e Institutos Especializados), de modo a permitir condições que essas últimas executem com plenitude a interdisciplinaridade, a inovação, a prestação de serviços à sociedade, além da valorização de seus docentes na carreira universitária.


7. Retomar, com o objetivo de finalizar, a praça dos Museus, tornando-se sede permanente do MZ e do MAE.


8. Criar o Centro de Captação e Gerenciamento de Projetos para apoio à captação de recursos culturais através de busca ativa de financiadores estatais e privados.


9. Tornar a Semana de 2022 um marco cultural para os paulistas e brasileiros, incentivando a participação de toda a comunidade uspiana, dos Museus, dos institutos de cultura, das Unidades e de outros agentes culturais da Universidade e a ela externos.


10. Recuperar o quadro docente e funcional das instituições de cultura, incluindo especialistas em museologia, restauro e arquivistas.


11. Dar visibilidade ao patrimônio da cultura da Universidade por meio de iniciativas adequadas a cada componente.