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Praça do Relógio - 10.12.2020 - foto: Cecília Bastos/USP Imagens

As universidades de excelência no mundo elegeram a inovação como uma de suas atividades-fim. Nos tempos modernos, a percepção pública da relevância da Universidade passa pela compreensão de como os conhecimentos gerados podem trazer avanços sociais, econômicos e de bem-estar. 

Os processos de inovação direcionados pela ciência (science-driven innovation) são objeto de muita discussão e transformação em anos recentes, especificamente no caso das universidades públicas, onde a discussão envolve também o aprimoramento de políticas públicas e legislação pertinentes. Novos conhecimentos e habilidades, a capacidade de desenvolver e explorar novas tecnologias, bem como compreender como a tecnologia e a sociedade interagem, são todos fatores críticos de sucesso para os quais as universidades podem contribuir neste processo contínuo de mudança.

Neste contexto, ações de inovação permeiam suas atividades de ensino, pesquisa e extensão e por que não a própria gestão da universidade. Em anos recentes, a USP fez progressos expressivos nessa área, mas, para atingir novos patamares de desempenho, é necessário renovar continuamente os processos de inovação, e entrosamento do nexo universidade-sociedade.

A Pandemia da COVID-19 evidenciou para a sociedade a relevância que a Universidade pode ter para a população em geral. A USP figurou entre as universidades que mais se destacaram na produção de conhecimento científico sobre a pandemia no mundo. Este conhecimento foi assimilado em tempo real pela população, governantes e gestores de saúde. 

Em sinergia com as atividades de pesquisa, houve várias outras ações de inovação, durante a pandemia. Com foco na inovação tecnológica, foram desenvolvidos em nossas dependências novos testes, diagnósticos, vacinas, medicamentos e equipamentos de ventilação mecânica, máscaras (face-shields), dentre inúmeros outros produtos. Professores da USP tiveram um papel fundamental no esclarecimento e orientação da população no enfrentamento da pandemia. Destacou-se o engajamento de alunos egressos da USP, organizados em associações de ex-alunos, na arrecadação de recursos e na articulação da USP com diferentes setores da sociedade. Seguramente, os últimos dois anos foram divisores de água e tornaram ainda mais premente a necessidade de discutir com maior profundidade como devemos aprimorar os processos de inovação da USP.

A Universidade deve identificar potenciais contribuições para aprimorar processos ou sugerir soluções e inovações em áreas como saúde, educação, esporte, artes, indústria, comércio, gestão, energia, agricultura, meio ambiente, mudanças climáticas, cidades, violência, planejamento urbano e transporte, entre outras. Para atingir tais objetivos, deve interagir com a sociedade de duas formas: por indução, identificando ativamente setores onde já apresenta competências (por meio de um Comitê de Busca) e por demanda, detectando as aspirações da sociedade (Comitê de Recepção). Essas duas formas de interação podem ser estimuladas com a realização de workshops ou seminários pela Universidade, oferecidos a setores selecionados da sociedade ou promovidos por esses setores, a convite da USP, ou de forma espontânea, para a comunidade universitária. 
Seguindo a tendência moderna, as ações de inovação devem ser transversais às atividades da USP. Deve permear todas as estruturas da Universidade, envolvendo seus corpos docente, discente e funcional, promovendo o relacionamento ativo com a sociedade e aprimorando a formação de estudantes de graduação e pós-graduação, bem como pós-doutorandos, com uma concepção mais humanista, solidária e, principalmente, empreendedora e inovadora. Essas ações transversais devem ter obrigatoriamente um caráter inter e transdisciplinar, de forma que a inovação seja feita com base em diferentes áreas do conhecimento.

Nos anos recentes, a USP aprimorou seus processos de interação com empresas, principalmente startups, consolidando suas incubadoras nos vários campi. Entretanto, acreditamos que a USP precisa ampliar significativamente seus ecossistemas de inovação, não só com empresas, de forma ainda mais ampla com a sociedade. Um passo importante neste processo será estabelecer a aproximação real da Universidade com entidades públicas como, por exemplo, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, bem como câmaras de vereadores e prefeituras, tribunais de contas do Estado e do Município, Ministério Público, entre outros. Também devem ser consideradas as interações com a indústria e setores empresariais através de associações como a FIESP, FAESP, FECOMÉRCIO, CNI, Sistema-S, bem como entidades do terceiro setor voltadas à promoção da Inovação.  A busca deve ser por ações sinérgicas com entidades públicas, privadas e do terceiro setor, de forma a embasar as aplicações na sociedade do conhecimento produzido na USP.

Como resultado dessas atividades, nossa comunidade acadêmica terá em mãos temas complexos relevantes para estudar, solucionar, empreender, transformar e inovar, contribuindo para o enriquecimento de suas atividades de pesquisa, o aprimoramento da formação humanista, cidadã, empreendedora e inovadora de seus estudantes, que atuarão profissionalmente com esse espírito, eventualmente em suas próprias empresas. Haverá a atração de recursos para atividades de pesquisa voltadas ao desenvolvimento socioeconômico, que não se dissociam e nem devem se dissociar do desenvolvimento do conhecimento básico, que é o alicerce fundamental para a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação. 

A Universidade deverá oferecer suporte efetivo e solidário aos gestores desses projetos, que normalmente os colocam em situações jurídicas e financeiras complexas, tendo em mente que os projetos são centralizados em pessoas físicas. Sob esse aspecto, devem ser assinados Termos de Responsabilidade Solidária transformando os projetos em atividades da Universidade e da sociedade. Desta forma a USP poderá ser um agente efetivo de transformação e inovação da sociedade paulista e brasileira. 

Considerando a relevância da inovação na sociedade moderna propomos uma ampla discussão na USP de um plano diretor de inovação, voltado à ampliação de ecossistemas de inovação baseado no paradigma da hélice tríplice. A abordagem da hélice tríplice, considera que a inovação é um processo dinâmico e sustentável a partir da articulação entre três atores: a universidade, a iniciativa privada e o poder público. O mundo contemporâneo é baseado num modelo de como a ciência estruturou a sociedade moderna, tendo o conhecimento como elemento indutor do progresso da sociedade.

 

NOSSOS COMPROMISSOS

1. Valorizar institucionalmente as atividades de Inovação e Empreendedorismo.

     - Instituir uma Pró-reitoria Adjunta de Inovação na Pró-reitoria de Pesquisa, que passaria a ser de Pesquisa e Inovação, para articular-se organicamente com as atividades-fim da Universidade, ao fortalecer as especificidades das atividades de inovação e empreendedorismo.

     - Promover a capilarização das atividades de apoio à inovação em todas as Unidades.

     - Introduzir polos do Inova USP em todos os campi;

     - Estimular iniciativas e programas que organizem atividades de inovação e empreendedorismo;

     - Criar um Conselho de Inovação com importante participação externa;

     - Identificar e estabelecer procedimentos que promovam a inovação na USP com regulamentação facilitadora específica;
 

2. Promover a valorização das atividades de Inovação e Empreendedorismo por docentes e alunos, considerando que sem docentes empreendedores não teremos alunos empreendedores.

     - Estimular programas de capacitação e ensino de inovação.

     - Validar atividades de I&E no processo de avaliação docente.

     - Atuar junto à CAPES e ao CNPq na implementação de políticas de valorização da inovação na pós-graduação.

     - Estabelecer forte interação com o SEBRAE para semear a cultura do empreendedorismo na USP

     - Estabelecer indicadores de atividade em I&E.
 

3. Gerir profissionalmente a inovação

     - Adotar a estrutura de Organização Social nas atividades de inovação e empreendedorismo, sem utilizar recursos orçamentários da USP.

     - Instituir um fundo de investimento em inovação que permita apoiar start ups originadas na USP, com governança compartilhada com investidores.


4.  Estabelecer conexões com a sociedade no âmbito do modelo da tripla hélice (empresas, universidades e governos)

     - Realizar aproximação com instituições governamentais dos poderes executivo, legislativo e judiciário nas esferas federal, estadual e municipais.

     - Promover a aproximação com agentes privados da inovação (hubs, incubadoras e parques tecnológicos), associações empresariais, agências de fomento, fundos de investimento e representações internacionais.
 

5. Apoiar a implementação de infraestrutura para inovação.

     - Estimular novos espaços para desenvolvimento de hardtech, startups (agtech, biotech, e healthtech).

     - Apoiar a criação de incubadoras e parques tecnológicos nos campi que ainda não detêm essa estrutura.

     - Implantar novos espaços para o desenvolvimento de inovação na resolução de problemas  socioeconômicos.