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Praça do Relógio - 10.12.2020 - foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Como está claro, a nossa proposta investe energias na construção de uma Universidade de excelência tanto na produção acadêmica quanto na qualidade da inclusão social e na atenção às pessoas que a integram (discentes, docentes e servidores). Para que isso se concretize, é fundamental que as decisões sejam baseadas no diálogo e na valorização das pessoas.


A preocupação com o ser humano está fortemente expressa na proposta de criação de uma Pró-reitoria para realizar ações transversais de inclusão, acolhimento à diversidade e estímulo ao pertencimento, voltada ao aperfeiçoamento das ações étnico-raciais, das políticas de gênero e da saúde, inclusive a mental. As ações atuais estão dispersas, fragmentadas em diferentes escritórios ou superintendências. Também por isso, são ações insuficientes. Precisamos de ações inovadoras e de qualidade, características importantes da USP. Já não bastam as posturas reativas e tardias.

 
Esta proposta está de acordo com a política de grandes universidades internacionais, como a Harvard University, que conta com uma vice-presidência para “Diversidade, Inclusão e Pertencimento”. Esse organismo, nas palavras da própria Harvard University, “trabalha com o público estratégico e parceiros em toda a Universidade para orientar a cultura da Harvard em direção à excelência inclusiva”. 


A Yale University também criou programas semelhantes em outubro de 2020, “Pertencimento na Yale”. Segundo a instituição, “esses programas irão garantir a liderança da Yale no ensino e na realização de pesquisas e bolsas de estudo do mais alto nível, valorizando nossas diferentes forças e nosso entendimento de que cada um de nós é membro da Universidade e pode prosperar”.

Considerando a diversidade cultural e étnico-racial da sociedade brasileira, o tema deve ser tratado como prioridade pela Universidade, e temos certeza de que a USP poderá realizar inclusão de excelência e concomitantemente incrementar sua excelência na pesquisa.
O Ensino será valorizado e articulado a partir de premissas renovadas, que traduzem nosso compromisso com a vida. A primeira delas é mudança necessária na formação dos estudantes para que possam exercer suas atividades profissionais em uma sociedade em rápida transformação. Para isto precisam ter pensamento crítico, flexibilidade na formação e educação continuada. As matrizes curriculares precisam considerar a inter(trans)disciplinaridade. Não podemos adiar as mudanças. O mundo do trabalho está se modificando e não podemos continuar defasados, sob o risco de não mais representarmos a formação de recursos humanos adequada para a sociedade.  


A segunda premissa decorre da pandemia, que trouxe reflexões sobre as formas de ensinar e aprender. As metodologias mediadas por tecnologia foram incorporadas à rotina da Universidade, mas precisam ser avaliadas e ajustadas. Certamente o modelo presencial será o predominante, mas possivelmente iremos incorporar novos conceitos e ferramentas digitais. A USP pode ser um modelo para as universidades brasileiras e mundiais se souber fazer essa discussão com celeridade e qualidade.


Propomos que todos(as) nossos(as) estudantes sejam formados com preocupação social e conhecedores da realidade social brasileira. Uma das iniciativas será pela criação de um Centro de Voluntariado na USP, política também utilizada em universidades internacionais, para que desde a sua entrada na Universidade o(a) aluno(a) possa realizar essas atividades. Esta iniciativa deve aumentar o vínculo com a sociedade. Por exemplo, existem Centros de Voluntariado no Sistema Universitário da Califórnia, o da UCLA descreve sua atividade na frase “coordena as atividades no campus e em toda a Grande Los Angeles, para inspirar os membros da extensa família da UCLA a doar seu tempo e talento. Na UCLA, existem muitas maneiras de retribuir à comunidade”. 

 

A pesquisa sempre foi uma característica importante da USP, nossos professores são altamente qualificados, mas podemos realizar pesquisas com maior impacto, resolver problemas com maiores dimensões. A proposta tem como objetivo tornar nossos pesquisadores(as) mais competitivos, com melhor infraestrutura e condições de obter fomento nas agências nacionais e internacionais. A organização da pesquisa em centros temáticos multidisciplinares ou clusters de laboratórios tem sido um caminho importante para otimizá-la por diferentes países, pois garante financiamento estável e permite realizar pesquisas disruptivas de maior impacto. Este modelo não deve ser o único na Universidade, mas terá um importante impacto na produção do conhecimento.
Para incrementar o financiamento de projetos pelas agências tradicionais de fomento e empresas precisamos melhorar todas as condições de trabalho dos(as) nossos(as) pesquisadores(as). 


Mesmo contando com pesquisa de excelência na USP, precisamos aprimorar o processo de inovação. Muito tem sido feito, mas precisamos atingir a qualidade e o volume das grandes universidades mundiais. Durante a pandemia pudemos conhecer Universidades distinguidas por possuir patentes de vacinas o que as tornou mundialmente valorizadas. Pudemos ainda conhecer startups criadas por professores(as) universitários que foram incorporadas por grandes empresas internacionais, tornando-se responsáveis por milhões de pessoas vacinadas com tecnologias inovadoras. A inovação empregada na vacinação da Covid-19 foi responsável pelo controle, ainda que parcial, da pandemia. Precisamos repetir esta experiência com outros problemas da sociedade. Nossa proposta valoriza a inovação, descreve as ações necessárias para atingirmos este objetivo e deixa claro que a inovação será considerada prioridade na USP. 


A proposta também considera a necessária transparência financeira da USP. São pontos importantes a serem conhecidos e discutidos pela comunidade. Estamos comprometidos com o equilíbrio financeiro atual e futuro da Universidade e com outras importantes prioridades, como a recomposição salarial e a contratação qualificada e planejada de docentes e servidores. A situação atual é de equilíbrio da Universidade, inclusive com recente recomposição parcial do fundo de reserva, porém a situação das pessoas é inversa, com perdas salariais, desestímulo, demissões e diminuição da capacidade de recrutar novos talentos. Se não houver mudança clara neste cenário, estaremos colocando em risco o futuro da USP. O resultado desastroso das perdas salariais e da desvalorização dos professores do ensino fundamental e médio no Estado de São Paulo é conhecido por todos. Não podemos permitir que o mesmo ocorra no ensino superior.

 

O compromisso com a sociedade é um fator muito valorizado na proposta. Consideramos obrigação da Universidade colaborar para uma sociedade com melhor qualidade de vida e mais equânime. Não podemos considerar que somente devem ser realizadas as atividades-fim de ensino, pesquisa e extensão. Precisamos ir além. É fundamental que a Universidade tenha propostas concretas para os problemas que afligem a sociedade brasileira e colabore para a formulação de políticas públicas. Devemos interagir e colaborar com diferentes agentes externos, como as agências de fomento, a ALESP e o Governo Estadual, mostrando a visão da Universidade sobre assuntos relevantes. 
Ao avançar na agenda de sustentabilidade, a USP terá condições de demonstrar sua criatividade, inovando com a efetiva incorporação dos princípios e dos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU a suas atividades de ensino, pesquisa, cultura e extensão, bem com a suas políticas e práticas relacionadas à administração acadêmica, científica e universitária, projetando-se, com seu exemplo, como instituição totalmente conectada com o presente na construção permanente de seu futuro. 


A democratização da cultura e da informação são fundamentais para a função social da Universidade. A USP possui importantes órgãos culturais, como museus, orquestras, corais e teatro de alta qualidade A proposta é que eles tenham maior visibilidade e função social. Devemos considerar ainda que na próxima gestão reitoral ocorrerá a inauguração da reforma do Museu Paulista com a celebração dos 200 anos da Independência do Brasil, colocando a USP no centro das atenções nacionais. Será uma grande oportunidade para estabelecer novos parâmetros culturais na sociedade paulista e brasileira.


A qualificação da comunicação é uma tarefa fundamental para a USP, vivemos nos dias atuais um período de desinformação na sociedade, principalmente em relação ao papel da educação e da ciência. Nossa proposta prevê ações que buscarão mudar este cenário, com integração, valorização e novos parâmetros de comunicação.
O cenário futuro está repleto de incertezas, mas também de oportunidades. O desafio fundamental consiste em formular propostas criativas para a USP alçar novos patamares de responsabilidade social, protagonismo e excelência na pesquisa e na ciência, com liberdade acadêmica. Não temos dúvidas que a USP responderá plenamente às expectativas nela depositadas pela sociedade. Chega de administrativismo. Chega de posturas isolacionistas. Chega de autoritarismos gradeados. Tenhamos a grandeza e a esperança para dar um passo à frente, o passo que a vida espera de nós.


Na certeza de que só há universidade forte onde haja democracia forte, conclamamos a cada um e a cada uma a refletir seriamente sobre seu voto, USP Viva.