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Praça do Relógio - 10.12.2020 - foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A pesquisa na USP se desenvolve em múltiplos formatos, procedimentos e métodos nas humanidades, nas ciências biológicas, nas agrárias, na saúde, nas biomédicas, nas engenharias, nas exatas e em outros campos específicos. Após a reforma universitária, segundo as tendências mundiais, a USP se especializou cada vez mais, com a individualização de linhas de pesquisa em larga escala. Este processo foi parcialmente revertido com o advento de chamadas para grandes projetos, desde os temáticos e os Centros de Pesquisa em Engenharia (CPE), Centros de Ciência para o Desenvolvimento e os Centros de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento (CEPID) da FAPESP até os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) do CNPq. Estes últimos inauguraram uma era de aglutinação de pesquisadores em grandes grupos para tratar de temas estratégicos para o país. A USP acompanhou parcialmente esta tendência, criando os Núcleos de Apoio à Pesquisa (NAPs), que tiveram um período de fomento parcial. 

Está ficando cada vez mais claro que o mundo caminha para um novo equilíbrio na pesquisa. Esse novo equilíbrio se beneficia da especialização, mas também une grupos de pesquisas em torno de grandes temas. Cada vez mais, a ciência que se expande é a do tipo que ficou conhecido como pós-normal, uma ciência transdisciplinar que tenta resolver grandes problemas regionais, nacionais ou de toda a humanidade. Exemplo dessa tendência são os programas de excelência da União Europeia que financiam grupos com focos definidos. 

No entanto, a ciência pós-normal não pode existir sem os alicerces dados pela ciência básica, impulsionada pela curiosidade natural de cientistas, que muitas vezes não encontra respostas imediatas. A nossa proposta é que a USP busque um equilíbrio dinâmico de produção científica que permita tanto a construção de alicerces (ciência básica) como as aplicações do conhecimento gerado para a resolução de grandes problemas (ciência translacional). 

Bem sabemos que encontrar pontos de equilíbrio é uma tarefa árdua. Para tanto, nossa proposta é estabelecer grandes temas que deverão ser abordados por grupos transdisciplinares de pesquisadores da USP, no sentido de produzir diagnósticos e soluções. Pretendemos discutir os temas com a comunidade USP, mas, desde já, vemos possibilidades para isso em áreas como desigualdades, energia, alimentos, doenças infecciosas, soluções de engenharia, urbanização, cultura e arte. Todo esse processo deve ser considerado sem perder a perspectiva do necessário fortalecimento da pesquisa básica.

Nossa proposta inclui a valorização da qualidade da pesquisa na USP com melhoria da infraestrutura de pesquisa, otimização dos recursos financeiros e humanos, organização em torno de grandes temas, sem prejuízos para a pesquisa individual, internacionalização e nacionalização, apoio a jovens docentes e investimento na formação dos pesquisadores em todos os níveis (iniciação científica, pós-graduação e pós-doutoramento).

 

NOSSOS COMPROMISSOS

1. Aprimorar a infraestrutura de pesquisa:

     - Disseminar o conceito e apoiar a implementação de Escritórios de Apoio à Pesquisa (EAP) com forte atuação não apenas no pós-projeto (prestação de contas) mas também no apoio à apresentação e prospecção de projetos;
     - Dar continuidade à implementação e ao fortalecimento das Centrais Multiusuários.
     - Realizar estudo detalhado das necessidades de técnicos de laboratório para os grupos de pesquisa, com a contratação de técnicos PROCONTES, vinculados à Pró-reitoria de Pesquisa e disponibilizados para projetos específicos, Centros de Pesquisa e Centrais Multiusuários.
     - Disseminar o conceito e apoiar a implementação de Comissões de Infraestrutura em Pesquisa (CIP) nas unidades para auxiliar a Direção na distribuição racional de espaços físicos e técnicos de laboratório de pesquisa.

2. Fomentar Centros de Pesquisa e Clusters de Laboratórios, articulando-os tematicamente com linhas de pesquisa dos Programas de Pós-Graduação. A criação de projetos inter e transdisciplinares em torno de grandes temas deverão facilitar a captação de recursos públicos e/ou privados, facilitando aos grupos de pesquisa se organizarem em torno de projetos inovadores e assumirem maiores riscos. Esse processo deverá preservar a liberdade acadêmica, a diversidade da USP e o caráter imprevisível da descoberta científica. 

3. Viabilizar o aumento do número de bolsas de jovens pesquisadores, por meio deapoio institucional junto a agências de fomento para a criação ou aumento de programas de pós-doutorado, como PNPD da Capes, incluindo o reforço da política de concessão de novas vagas docentes baseadas em pesquisa.

4. Fomentar ambiente para as boas práticas para a excelência
     - Realizar a gestão de dados científicos, disseminação e apoio ao repositório de pré-prints;
     - Criar escritório para acompanhamento e desenvolvimento de métricas na Pró-reitoria de pesquisa, incluindo dados dos sistemas existentes (We_R_USP e We_R_USP PG), em interação com a agência AGUIA e o EGIDA, com foco na disponibilização de relatórios personalizados para Unidades, Departamentos, Programas de PG e Grupos ou Centros de Pesquisa; 
     - Acompanhar rankings internacionais com a utilização racional dos parâmetros de avaliação e análise das boas práticas (acadêmicas, administrativas e de internacionalização) de universidades de referência;
     - Promover a cultura da integridade ética da pesquisa, mediante programas regulares de educação, disseminação, aconselhamento e treinamento acessíveis a todos os pesquisadores. Aproximação do Comitê de Boas Práticas em Pesquisa com as Unidades;
     - Assegurar o protagonismo da Pró-reitoria de Pesquisa na promoção de cursos de curta duração para docentes e pesquisadores da USP sobre temas como redação científica, gestão de projetos de pesquisa, elaboração de projetos, nos moldes de iniciativas como o programa Researcher Connect, organizado pelo British Council.
     - Incorporar os conceitos do San Francisco Declaration on Research Assessment (DORA) para as avaliações da produção científica na Universidade.

5.    Aprimorar a Comunicação Científica
     - Atuar em conjunto com a Superintendência de Comunicação Social para divulgar a realidade da ciência produzida na USP, conectando de maneira proativa a imprensa e especialistas da USP, reforçando a interlocução com a sociedade através de iniciativas como USP Talks. 
     - Privilegiar a comunicação científica e a divulgação da produção uspiana para os veículos de imprensa externos, no sentido de promover a imagem extramuros da Universidade. 
     - Criar disciplinas na Pós-graduação de comunicação científica em mídias sociais.
     - Realizar seminários periódicos de atualização visando a incorporação de novas tecnologias de comunicação.