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Praça do Relógio - 10.12.2020 - foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A cultura política da sociedade brasileira vem sendo solapada por uma indústria da desinformação que se vale de avançadas ferramentas tecnológicas e de recursos financeiros que atingem diretamente as regras da democracia, enaltecendo comportamentos baseados na violência, preconceito e autoritarismo. Entre os seus alvos preferenciais destaca-se a instituição da universidade. Os ataques crescentes contra as liberdades e os direitos humanos vitimam artistas, intelectuais, jornalistas e, invariavelmente, professores, pesquisadores, cientistas e filósofos. Disparam contra a cultura e o conhecimento científico. Impulsionam a propagação da pandemia e desacreditam pesquisadores que trabalham nas vacinas e na proteção da vida. Por tudo isso, a indústria da desinformação professa o desprezo declarado contra as universidades públicas e gratuitas, centradas na pesquisa e no ensino de qualidade.


O que fazer diante disso? A resposta deve ser clara e alta: a universidade deve comunicar o saber e, ao mesmo tempo, comunicar-se com a sociedade. Para isso, deve estar sensível às demandas sociais, perceber suas aflições, esforçar-se para oferecer propostas de equacionamento dos problemas. Nesse quesito, especialmente, a comunicação tornou-se um tópico desesperadamente crítico para nós.


Para as Universidades e para o Brasil a área da comunicação erige-se em desafio particular, tendo em vista que o compromisso da Universidade é com a verdade do conhecimento, mesmo que provisoriamente construído. A desinformação, que corrói os fundamentos da democracia, leva de roldão as normas sobre as quais repousa a verdade científica. Por esse e outros motivos, cabe às instituições sérias explicitar os móveis dessa produção de enganos, cumprindo o papel público de reafirmar os princípios esclarecidos. Especialmente na USP, temos um acúmulo incomparável de cultura viva e disponível. É hora de nos dedicarmos, com o melhor das nossas energias, à partilha desse saber e da sensibilidade culta. 


Desde a primeira metade do século XX, as pesquisas da USP vêm sendo fundamentais para o progresso do Brasil. No século XXI, temos ainda outros desafios: assegurar o valor supremo da liberdade, sem o qual dificilmente o conhecimento brota; referendar a importância e a necessidade para a humanidade da ciência, das artes, do pensamento criativo, desinteressado, falsamente desimportante e inútil.


No conjunto, se nas universidades não há atividade de extensão distanciada das pesquisas em curso, também a própria divulgação não se realiza a contento na ausência de uma rede de informações ágil e sólida. Tendo em vista que a valorização da extensão e das ações de inclusão derivam da cultura de afirmação democrática de direitos, a partilha da herança cultural e científica é componente fundamental do reconhecimento e da legitimidade das instituições públicas. Por isso, os assuntos inerentes ao saber científico e à cultura em geral tornaram-se objetos dos meios de comunicação. Devemos estar atentos a essa confluência entre o saber científico e a comunicação responsável e de qualidade, baseada em fatos, que é tão essencial à democracia.
Por conseguinte, a política de cultura e extensão, de comunicação e informação na Universidade de São Paulo relaciona-se, necessariamente, com a estrutura das decisões sedimentadas na história institucional.
A USP dispõe de equipamentos públicos de comunicação, além de equipes qualificadas para operá-los. Precisamos agora fortalecer o comprometimento de toda a comunidade com a prática da comunicação, ininterrupta, fértil e crescente.

 

NOSSOS COMPROMISSOS

  1.  Mobilizar as emissoras de rádio na USP para a criação de uma rede nacional de rádios universitárias, comprometidas com a divulgação científica, as artes, a cultura democrática e os direitos humanos. O centro nervoso dessa rede deve ser o jornalismo independente (não propagandístico, não promocional), crítico e reflexivo.
     

  2.  Reestruturar as comunicações da USP, integrando a Edusp e a Superintendência de Comunicação Social.
     

  3.  Intensificar a oferta de programação audiovisual pelos meios da Internet, revitalizando a TV USP em todos os campi e em todas as unidades.
     

  4.  Ampliar as parcerias com outras instituições não comerciais de comunicação pública de fora da USP, brasileiras e estrangeiras.
     

  5.  Reunir numa estrutura única as funções de assessoria de imprensa, relações públicas, institucionais e governamentais, comunicação interna e comunicação corporativa. O centro nervoso dessa nova estrutura deve ser a comunicação dedicada à construção da imagem da USP e a defesa de seus interesses institucionais legítimos.
     

  6.  Valorizar integralmente a área de informação e comunicação, dado o seu lugar fundamental na estruturação do mundo atual.